Todo Mundo em Pânico 6 chega aos cinemas apoiado em uma premissa que, no papel, parecia perfeita. Afinal, os últimos anos foram tão absurdos em termos de cultura pop, redes sociais, celebridades e fenômenos virais que parecia inevitável imaginar a franquia retornando para satirizar tudo isso. O problema é que ter muito material para parodiar não significa, necessariamente, saber o que fazer com ele.
A melhor qualidade do filme continua sendo exatamente a mesma que tornou a série famosa décadas atrás: sua capacidade de transformar acontecimentos populares em piadas. Há referências para todos os lados. Filmes, séries, tendências da internet, personalidades e momentos marcantes dos últimos anos aparecem constantemente. Em vários momentos, reconhecer essas referências acaba sendo mais divertido do que as piadas em si. E esse é justamente o maior problema do longa!
Assista ao trailer:
Todo Mundo em Pânico 6 parece acreditar que quantidade pode substituir criatividade. O roteiro dispara piadas em todas as direções, numa tentativa constante de encontrar algo que funcione. O resultado é uma sucessão de esquetes desconectadas que raramente encontram ritmo ou equilíbrio. Algumas brincadeiras arrancam um sorriso, outras funcionam pelo fator reconhecimento, mas a maioria simplesmente passa sem deixar impacto.
O componente nostálgico também tem seu charme. É divertido rever elementos clássicos da franquia e perceber o carinho que existe por sua própria história. Porém, esse sentimento dura pouco. O filme parece excessivamente dependente dessa nostalgia, como se acreditasse que a simples lembrança dos antigos sucessos fosse suficiente para compensar a falta de um texto mais afiado.
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Curiosamente, mesmo satirizando assuntos extremamente recentes, o filme já nasce com uma sensação de estar ultrapassado. Talvez porque o humor pareça preso a uma lógica de outra época, incapaz de encontrar algo realmente novo ou relevante para dizer sobre os temas que aborda.
O mais frustrante é perceber que existia potencial. Em uma indústria cada vez mais dominada por sequências, remakes, reboots e revivals, Todo Mundo em Pânico 6 tinha nas mãos a oportunidade perfeita para zombar justamente dessa falta de criatividade de Hollywood. E, quando finalmente faz isso, funciona muito bem.
O melhor momento do filme está justamente em seu ato final. Não por causa das piadas mais escrachadas, mas porque a produção finalmente abraça a metalinguagem de forma inteligente e faz comentários surpreendentemente ácidos sobre a própria indústria que decidiu ressuscitá-la. Há uma lucidez ali que esteve ausente durante quase toda a projeção, o que torna a experiência ainda mais decepcionante.
No fim das contas, fica a sensação de que o retorno da franquia aconteceu porque fazia sentido comercialmente, não porque existia uma grande ideia por trás dele. E talvez essa seja a maior ironia de todas. Uma série que nasceu para satirizar tendências acaba se tornando exatamente aquilo que deveria estar criticando: mais um revival movido pela nostalgia.
Todo Mundo em Pânico 6 não é um desastre completo. Existem momentos engraçados, algumas referências bem colocadas e uma boa dose de carinho pela franquia. Mas isso não é suficiente para sustentar um filme inteiro. O resultado é uma longa piada que raramente encontra o timing certo e que prova que, às vezes, a nostalgia funciona melhor como lembrança do que como plano de negócios.
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