Mestres do Universo abraça a sensibilidade masculina e prova que força e vulnerabilidade podem coexistir | Crítica

Sempre que surge a ideia de uma nova adaptação cinematográfica de uma franquia clássica e muito querida pelo mundo nerd, ela também vem acompanhada daquele receio por parte do público: Será que vão estragar tudo? Esse filme vai ser outro fracasso igual a tantas outras tentativas de adaptações de Hollywood ou vai ser o melhor filme que já assisti na minha vida?

Felizmente, o novo live-action de Mestres do Universo veio para surpreender tanto os fãs que assistiam ao desenho desde crianças, quanto o público mais novo que nunca nem ouviu o nome He-Man na vida.

Assista ao trailer: 

O longa acompanha Adam Glenn (Nicholas Galitzine), príncipe de Eternia, que foi forçado a fugir para a Terra ainda criança com a Espada do Poder após seu planeta ser atacado pelo vilão Esqueleto (Jared Leto). Quinze anos depois, vivendo uma vida comum enquanto procura a espada que levou consigo e que foi perdida na viagem, Adam acaba recuperando o artefato e descobre que precisa retornar ao seu planeta natal para enfrentar o mal e salvar Eternia ao lado de seus aliados, Teela (Camila Mendes) e Duncan (Idris Elba).

Nos últimos anos, as produções que mostram heróis carismáticos sem medo de chorar, demonstrar vulnerabilidade e dificuldade de lidar com seus obstáculos estão em alta. Vimos isso em Superman (2025) dirigido por James Gunn há pouco tempo atrás, com um Clark Kent que era sensível da mesma forma que também era destemido — ele era forte, mas não tinha medo de pedir ajuda ou de demonstrar que se preocupava com quem amava.

O diretor Travis Knight acerta em Mestres do Universo com essa mesma proposta pois escolheu o ator perfeito para ser o He-Man: o Príncipe Adam de Nicholas Galitzine é relatável porque não tem medo de mostrar despreparo. Ele gagueja, passa vergonha na frente de quem admira, faz piadas ruins e se emociona quando se sente vulnerável — mas também é corajoso, charmoso e carismático.

Desde a animação de 1983, o personagem era apresentado como um exemplo, encerrando cada episódio contando uma lição de moral destinada ao público infantil. A vulnerabilidade não é uma ruptura da sua essência, mas uma extensão natural dos valores que definiam o herói desde os primórdios.

Os figurinos também estão entre os maiores acertos de Mestres do Universo. Talvez por influência de grandes estúdios responsáveis pelos maiores filmes modernos de super-heróis, criou-se a percepção de que, para ser levado a sério, um herói precisava abrir mão de sua identidade visual mais extravagante em favor de figurinos escuros, cores dessaturadas e armaduras futuristas com linhas desnecessárias.

Em Mestres do Universo, o figurinista Richard Sale prova que os heróis podem ser extravagantes e visualmente ousados sem perder sua imponência. Os trajes de protagonistas e vilões são marcantes e abraçam a estética fantástica da franquia, mantendo-se fiéis ao material original sem receio de parecerem exagerados ou espalhafatosos. Pelo contrário, é justamente essa confiança em sua identidade visual que torna o trabalho de figurino um dos grandes destaques do filme.

Embora o filme seja encantador por não ter medo de soar exagerado ou até ridículo, essa abordagem deixa de funcionar algumas vezes. Com frequência, momentos importantes são interrompidos por piadas que diluem a tensão dramática e comprometem a construção de cenas que poderiam ter um impacto maior.

Apesar disso, esse fator pouco influencia na experiência de ver o grande He-Man retornar às telonas quase quarenta anos depois de uma adaptação fracassada em 1987. É um prazer para fãs antigos e novos, porque desta vez o personagem recebe uma adaptação genuinamente divertida e consciente de quem ele é de verdade.

Vale lembrar que o diretor deste longa, Travis Knight, já tinha familiaridade com boas adaptações de grandes franquias desde que dirigiu Bumblebee (2018), um dos filmes mais bem recebidos da franquia de Transformers. Além disso, o cineasta também está à frente de O Bosque Selvagem, próximo projeto do estúdio de animação LAIKA, responsável por obras como Coraline (2009), com lançamento previsto para este ano.

Mesmo para quem não possui uma conexão prévia com a franquia, Mestres do Universo se sustenta como uma aventura divertida e envolvente. Ao despertar interesse por seus personagens e por seu universo sem exigir conhecimento prévio do espectador, o filme demonstra que uma boa adaptação deve funcionar não apenas como homenagem aos fãs, mas também como uma porta de entrada para novos públicos.

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