Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é espécie de “cutscene estendida” – a definição de medíocre | Crítica

Adaptar o horror psicológico de Silent Hill exige equilibrar o surreal diante de um aspecto mais cru e visceral. Em Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, o que se vê é uma obra que opta por jogar seguro, priorizando uma fidelidade ao material original e ousando pouco narrativamente. Através de uma atmosfera densa, o longa tenta capturar a essência da névoa característica da franquia, entregando uma experiência que, embora familiar, não é capaz de traduzir o peso da obra original. Alguns acertos em meio a um produto sem grande impacto geram o caso típico do filme medíocre que não ofende, mas tampouco é memorável.

Veja o trailer dublado:

O longa propõe uma pequena releitura do enredo ao mesclar conceitos do primeiro jogo com a narrativa central do segundo. A trama segue James (Jeremy Irvine), um homem atraído de volta à Silent Hill por uma mensagem misteriosa que o faz procurar respostas sobre Mary (Hannah Emily Anderson), sua esposa supostamente falecida. Após perceber que o lugar não é nada comum e possui elementos macabros e completamente fora da realidade, o protagonista segue descobrindo os segredos da cidade e do passado de sua esposa, que estão intimamente conectados.

No campo visual, o longa ensaia explorar um terror pesado e gráfico, onde o design das criaturas até consegue gerar um desconforto dentro de uma ambientação opressora, no entanto essa busca esbarra nas deficiências técnicas e num CGI que incomoda e quebra parte da imersão. O excesso de maquiagem em certos personagens soa artificial e quase amador: barba falsa notável e olheiras exageradas que soam extremamente caricatas. Essa falta de cuidado com a verossimilhança estética gera uma distração desnecessária que impede que o público embarque de vez na jornada.

Diferente da subjetividade dos jogos, o filme traça um caminho menos interpretativo, mastigando informações que antes permitiam teorias e reflexões do público. Essa falta de sutileza se estende à construção dos personagens: falta sensibilidade para adaptar o material em vez de apenas replicá-lo.

Assim se ressalta o conceito base de narrativa ambiental: elementos que funcionam em contexto de gameplay, quando não adaptados, resultam em uma passividade estranha do protagonista diante dos absurdos ao seu redor. James, em muitos momentos, não age como uma pessoa real, mas sim como se estivesse preso em uma cutscene, parece que falta um toque de humanidade para que o espectador se sinta igualmente imerso diante da perda do recurso de interatividade. Falta refinamento para trabalhar a transmidialidade e entregar um produto feito para o cinema.

No fim, embora o projeto não aproveite o potencial da narrativa original, ele se sustenta e pode satisfazer os fãs pelos inúmeros fan-services e pela oportunidade de ver cenários icônicos reproduzidos com fidelidade. Para o público geral de terror, o longa deve prender pela mística da cidade e constante sentimento de desorientação. Não é o suprassumo do terror, mas não desrespeita a obra e entrega algo honesto – porém limitado. Assim como em outros casos de adaptação, sua bagagem com a franquia vai ser o fator crucial para definir o que será da experiência.

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