Stranger Things (5ª temporada) acaba de forma satisfatória, mesmo com problemas narrativos | Crítica

Stranger Things (5ª temporada) | Leia a nossa cítica da série resenha análise

A quinta e última temporada de Stranger Things chegou cercada por uma expectativa gigantesca, resultado de uma década acompanhando esta aventura. No entanto, a maior série da Netflix se encerra de forma agridoce, com um desfecho paradoxal que satisfaz, mas também levanta diversos questionamentos.

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Parte 1

O Volume 1 tem um começo eletrizante, com ritmo acelerado, cenas de ação eficientes e uma dinâmica de elenco que continua sendo um dos grandes trunfos da série.

Os quatro primeiros episódios passam voando, mesmo somando quase cinco horas, justamente porque o roteiro não perde tempo com rodeios: ele entrega exatamente aquilo que o público queria ver.

O avanço no confronto contra Vecna é direto, as relações entre os personagens ganham novos contornos e a trama se movimenta com rapidez, mesmo flertando, em alguns momentos, com um certo atropelo narrativo. Ainda assim, funciona. A ação é bem dosada, equilibrada com cenas de tensão, momentos emotivos e interações leves que lembram por que esses personagens conquistaram tanta gente ao longo dos anos.

Gostei especialmente de como os núcleos se reorganizam para além do óbvio, e a relação entre Will e Robin se destaca como uma das interações mais sinceras e bem-vindas da temporada.

É claro que a série continua tropeçando em vícios antigos, como a suspensão de descrença exagerada, que já virou uma marca registrada, embora algumas situações beirem o absurdo, fazem parte do pacote Stranger Things.

Parte 2

O problema começa no Volume 2. Aqui, a temporada perde justamente aquilo que havia sido seu maior trunfo: o ritmo. O interesse pelo desfecho permanece, mas passa a vir acompanhado de um certo cansaço. Fica evidente que os irmãos Duffer não tinham material suficiente para sustentar tantos arcos narrativos acontecendo ao mesmo tempo. O resultado é um malabarismo desordenado, com cenas esticadas, conveniências excessivas e uma sensação constante de barriga.

Enquanto o Volume 1 era frenético e cheio de acontecimentos, o segundo tenta repetir a fórmula dividindo a atenção entre muitos personagens e núcleos, mas sem a mesma fluidez. É como aquele truque de circo de equilibrar pratos: alguns recebem atenção, enquanto outros começam a balançar perigosamente. Muitos momentos ficam fora de timing e até de tom.

A cena do Will saindo do armário, por exemplo, chega em um momento estranho. A ideia é válida e coerente com o arco do personagem, mas a forma como foi inserida — reunindo todo mundo no “Dia D, Hora H” — soa deslocada e até insensível.

Outro arco completamente perdido é o dos militares. O roteiro claramente não sabe o que fazer com eles, mas insiste em mantê-los em cena para reforçar uma ameaça que já é suficientemente grande com Vecna e o Mundo Invertido.

E Kali… bem, Kali merece um parágrafo à parte. Surgiu no final do volume anterior como um possível grande trunfo narrativo, mas não entrega nada de concreto. Sua presença se limita a promessas vagas de sacrifício que dificilmente convencem alguém. O mesmo vale para o arco dos militares, que termina de forma estranha e anticlimática, com resoluções que parecem mais conveniência de roteiro do que consequência natural da história.

Por outro lado, há méritos no Volume 2. A fundamentação teórica apresentada, explicando o Mundo Invertido a partir de conceitos científicos e físicos, é interessante e conversa bem com o lado sobrenatural da série. Também fica claro que os Duffer guardaram os principais pontos de resolução para o episódio final, que conta com impressionantes 2h20min de duração.

Final

O último episódio, isoladamente, é satisfatório, mas excessivamente longo. Metade dele funciona como um grande epílogo, com situações que nem sempre têm o peso dramático necessário. A parte mais importante é a primeira metade, mas ela segue exatamente o caminho esperado. Funciona, mas vai pelo lugar comum. Stranger Things talvez merecesse um final mais ousado, que realmente arriscasse.

No fim, a sensação é curiosamente parecida com um episódio de Scooby-Doo: os personagens passam por dificuldades, mas saem praticamente ilesos, e o vilão só não vence por causa daqueles “pirralhos enxeridos”. A tentativa de pseudo-humanizar o Vecna, por exemplo, dura pouco e soa estranha, por alguns instantes parece que querem que sintamos pena dele, mas a ideia morre rápido e não convence.

Ainda assim, nem tudo decepciona. Visualmente, o Vecna “copiloto” de uma criatura colossal funciona bem, mesmo perdendo um pouco da força quando lembramos que aquilo é, essencialmente, o Devorador de Mentes. O confronto final entre Eleven e Vecna é bom, embora menos catártico do que poderia ser. E Joyce, desta vez, cumpre bem seu papel quando realmente importa.

No saldo final, considero o encerramento mais positivo do que negativo. A quinta temporada é, sem dúvida, a mais inconsistente da série, mas ainda consegue fechar esse ciclo de forma minimamente honesta e emocionalmente satisfatória. Não é o final avassalador que muitos esperavam, mas também passa longe de ser um desastre.

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