Marty Supreme definitivamente não é um filme sobre ping-pong | Crítica

Marty Supreme Crítica análise resenha do filme é bom? Timothee Chalamet

Marty Supreme (2025), um filme frenético que não pede licença para existir. Dirigido por Josh Safdie para a A24, o longa entrega 2h29min de puro caos criativo, humor ácido e uma energia quase sufocante, ancorado por uma performance magnética de Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome, Duna), que aqui também atua como produtor.

Ao lado dele, seus companheiros de tela Odessa A’zion, Gwyneth Paltrow e Tyler, The Creator também entregam atuações competentes, essenciais para manter o tom desse universo lá em cima.

Vendido inicialmente como “uma biografia do atleta profissional de tênis de mesa Marty Reisman (1930–2012)”, Marty Supreme é muito mais do que isso e logo deixa claro que essa descrição é apenas um ponto de partida. O filme se passa na década de 1950, em Manhattan, onde acompanhamos a pacata rotina de Marty Mauser (Timothée Chalamet) — versão ficcionalizada do atleta real — como um simples vendedor de sapatos na loja de seu tio, tentando ganhar dinheiro para viajar e competir em torneios de ping pong.

Assista ao trailer:

Logo no começo da obra, somos apresentados ao seu interesse romântico, Rachel Mizler (Odessa A’zion), através de uma das cenas de abertura mais inusitadas do cinema nos últimos tempos.

Os primeiros trinta minutos deste filme fazem você acreditar que está prestes a assistir quase três horas de partidas de ping pong, mas a realidade é outra. Marty Supreme é como Cisne Negro (2018), de Darren Aronofsky, e Rivais (2024), de Luca Guadagnino, ao mesmo tempo. O que acompanhamos é a espiral caótica de um protagonista disposto a tudo para ser o melhor jogador de tênis de mesa do mundo, mesmo que para isso ele precise se meter nas piores furadas possíveis, como: presenciar assassinatos, acumular dívidas, quase ser preso, cultivar um “triângulo amoroso”… tudo isso em um frenesi muito bem humorado.

Ainda trazendo outra surpresa agradável, o longa também foi a estreia na atuação do medalhista olímpico japonês Koto Kawaguchi, que vive o personagem Koto Endo, rival de Marty Mauser. Aliás, o atleta revelou recentemente, em uma entrevista para a revista i-D, que não sabia quem era Timothée Chalamet antes das gravações, e que achava que a proposta para o filme era algum tipo de golpe antes de aceitá-la junto de sua equipe.

Mesmo sem experiência prévia como ator, Koto Kawaguchi entrega uma atuação sutil, dando vida ao seu personagem de forma natural, como se já fosse seu terceiro ou quarto filme. Endo é um rival quieto, firme em seu objetivo de derrotar Mauser, mas também contido e respeitoso em seus momentos de grandiosidade, um direto oposto do personagem de Chalamet, que ocupa espaços que não são seus, exige atenção constante e manipula todos ao redor para sair por cima.

E falando nos coadjuvantes, Gwyneth Paltrow, que vive uma atriz renomada, porém sustentada por seu marido, chamada Kay Stone. Não há muita química entre eles, mas o motivo disso fica claro conforme você presencia e entende o jeito que Marty trata e usa até as pessoas que diz amar. A mesma dinâmica acontece entre ele e seu melhor amigo mais leal, Wally (Tyler, The Creator), um taxista pai de família que frequentemente salva Marty das furadas que ele se mete — e também com sua namorada Rachel (Odessa A’zion), que faz de tudo para agradar o ego e o ambições de Marty.

Apesar da longa duração, o ritmo de Marty Supreme é acelerado e intenso, editado como uma partida de tênis de mesa, que guia rapidamente os seus olhos de um lado para outro para tentar acompanhar tudo que está acontecendo na sua frente. Essa energia constante torna o filme muito leve de se assistir, ainda mais quando você se pega pensando qual vai ser a próxima desventura que acontecerá com o protagonista. A sequência final, no torneio mencionado ao longo de toda a narrativa, é a cena que mais faz proveito desse ritmo intenso, é o tipo de cena que faz o espectador se inclinar para frente no seu assento no cinema, vidrado, tentando prever quem sairá na vitória.

Agora, um elemento peculiar é a escolha da trilha sonora do longa. Apesar do filme se passar na década de 50, Marty Supreme utiliza músicas dos anos 80: hits famosos da época (como Forever Young, de Alphaville, e Everybody Wants to Rule the World, de Tears for Fears) marcam algumas das cenas mais memoráveis da obra, colocando o público no passado e Marty Mauser no futuro; já a trilha original, composta por Daniel Lopatin, aproveita muito do synthwave para energizar até os momentos mais quietos.

No fim das contas, Marty Supreme é um filme que exige entrega do espectador, mas recompensa quem embarca em sua proposta. É caótico, exagerado, barulhento e, justamente por isso, tão envolvente. Para cinéfilos e para quem acompanha a atual temporada de premiações, é uma experiência que merece ser vista na grande tela, onde seu ritmo, sua estética e sua ambição podem ser aproveitados ao máximo.

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