Cara-de-Barro molda uma nova face para o terror da DC | Crítica

Esqueça Obsessão, Resident Evil e Backrooms um pouco: Cara-de-Barro mal chegou e já é um dos filmes de terror mais empolgantes do ano. Com cenas intensas de horror corporal e um terceiro ato insano, esse filme se destaca ao ser completamente diferente do que a DC já fez.

Dirigido por James Watkins, Cara-de-Barro narra a história de Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão em Hollywood, cuja carreira desmorona após ele ser brutalmente desfigurado por um criminoso em Gotham. Abandonado por sua equipe, ele recorre a um tratamento experimental que restaura sua aparência, mas que também traz consequências inesperadas e distorce sua percepção da realidade. Agora, consumido pelo desejo de vingança, Matt passa por uma transformação que gradualmente destrói o resto de sua humanidade.

Assista ao trailer:

Tom Rhys Harries como Matt Hagen é fantástico. Seu carisma ajuda a elevar esse personagem que conquista o público num piscar de olhos, mesmo com uma introdução rápida até demais: logo no início do filme, a história já avança de uma vez, sem dar muito tempo para o espectador conhecer Matt como pessoa ou sua vida antes da tragédia. Dedicar alguns minutos a mais a essa fase provavelmente teria tornado sua transformação ainda mais impactante — acabou faltando uma introdução mais à fundo do homem que existia antes do monstro.

Um aspecto interessante de Cara-de-Barro é que o longa não tem medo de ser grotesco. Um dos maiores acertos do filme está na maneira como utiliza o horror corporal: sem receio de mostrar imagens nojentas, arrastando os momentos de violência e fazendo questão de manter a câmera sobre as cenas desconfortáveis. Enquanto outras produções costumam desviar o olhar do espectador em cenas de automutilação ou ferimentos, aqui o olhar se aproxima e insiste em cada detalhe grotesco, deixando o público se contorcendo em suas poltronas. Aquela cena da tesoura nos olhos foi tensa!

Vale acrescentar que a trama não é particularmente complexa, e isso pode ser tanto uma qualidade quanto um defeito dependendo do que se espera do filme. Aqui, a simplicidade funciona a favor da proposta: a narrativa consegue manter o foco em Matt Hagen e em sua transformação, sem precisar se dividir entre inúmeras subtramas. Sem dúvidas, uma história mais elaborada também poderia ter rendido bons resultados, mas o roteiro consegue aproveitar bem a premissa sucinta que apresenta.

Acompanhe minha crítica pessoal no Instagram:

Para além do horror físico, Cara-de-Barro também explora uma relação abusiva de maneira interessante e relativamente sóbria. Conforme a história avança, a relação do ex-ator com sua “cirurgiã” ganha elementos cada vez mais perturbadores, culminando em um final com uma imagem difícil de esquecer. O desfecho deles é desconfortável não apenas pelo horror físico, mas também pelo que acompanhamos do psicológico de Matt e Caitlyn nessa tragédia.

E é na reta final que Cara-de-Barro abraça completamente o caos. O ritmo acelera, a tensão aumenta e Matt começa a matar suas vítimas de maneiras cada vez mais grotescas, usando todo o potencial de seu corpo transmutado. As sequências ficam progressivamente mais intensas e entregam alguns dos momentos mais memoráveis do longa. Em meio a toda essa violência, presenciamos uma das cenas mais icônicas: Matt dançando e se transformando em pessoas diferentes em uma balada enquanto é perseguido. É uma situação bizarra, e justamente por isso funciona tão bem. O contraste entre a dança e o caos ao redor torna essa sequência a mais empolgante do filme, sem tirar a tensão da história que estamos acompanhando.

Por fim, a presença de Matt Reeves entre os produtores e Mike Flanagan no roteiro faz desse projeto uma obra simplesmente brilhante dentro do universo da DC. Cara-de-Barro prova que há espaço para explorar histórias mais sombrias e intimistas nesse universo de adaptação de quadrinhos, sem depender da fórmula tradicional dos filmes de super-heróis que vemos há anos.

Mesmo faltando um pouco sobre Matt Hagen antes de sua transformação, o filme entrega uma experiência de terror consistente, com um protagonista carismático, sequências grotescas e um terceiro ato inesquecível. Cara-de-Barro pode não reinventar o gênero, mas sabe explorar ao máximo suas peculiaridades e construir uma narrativa perturbadora. Para os fãs de body horror, é uma produção que merece toda a sua atenção.

E para ficar por dentro das principais informações sobre a cultura pop, siga @6vezes7 no Instagram, TikTok, Twitter e YouTube!

conteúdo relacionado

últimas publicações