É difícil assistir a A Ilha Esquecida e não sair completamente encantado. A nova animação da DreamWorks é uma obra de arte recheada de emoção e cultura, daquelas que parecem ter sido feitas para serem revisitadas e estudadas no futuro. Mais do que uma apenas uma simples aventura sobre amizade e descoberta, o filme encanta nas relações que constrói entre os personagens — e, no meu caso, desperta uma saudade enorme das minhas próprias melhores amigas de infância.
Ambientado nas Filipinas dos anos 90, A Ilha Esquecida acompanha Jo (H.E.R.) e Raissa (Liza Soberano), duas melhores amigas que encontram um portal para uma ilha misteriosa na noite em que se despedem antes de seguirem caminhos diferentes. Lá, cercadas por várias criaturas da mitologia filipina, elas descobrem que a única maneira de voltarem para casa é esquecendo uma à outra.
Assista ao trailer:
Um dos elementos que mais me emocionaram foi a forma como o longa retrata a amizade entre Jo e Raissa. Existe algo muito genuíno na maneira como elas se relacionam, nas pequenas demonstrações de carinho, na importância que uma tem na vida da outra e até mesmo nas brigas bobas que todos os amigos têm. A Ilha Esquecida entende que algumas das relações mais importantes que construímos não precisam necessariamente ser românticas para serem profundas.
Por muitos anos, fomos acostumados a ver grandes declarações, sacrifícios e histórias épicas de amor quase sempre associadas a casais, enquanto amizades e relações familiares acabavam ocupando um espaço secundário. Aqui, a amizade entre Jo e Raissa é o coração da história. O filme entende que perder uma melhor amiga pode ser tão doloroso quanto perder um grande amor, e que os vínculos que construímos com nossos amigos e nossa família também podem ser essenciais para quem somos.
Visualmente, A Ilha Esquecida é absurdo. O filme parece uma verdadeira aula de animação e direção de arte, combinando diferentes estilos visuais sem perder sua identidade. Há várias sequências animadas em estilo anime, enquanto outras vem em um estilo mais tradicional da animação ocidental, e toda essa mistura simplesmente funciona. É bonito, divertido, e muito bem feito.
É o tipo de filme que eu facilmente recomendaria para qualquer pessoa que queira estudar arte ou animação. Há tanto cuidado nos cenários, nos personagens, nas cores, nos movimentos e na composição das cenas que cada quadro parece ter sido feito para ser apreciado individualmente. Se existe uma animação que eu colocaria na lista de estudos obrigatórios para artistas, é A Ilha Esquecida. A DreamWorks mostrou mais uma vez um domínio insano da linguagem visual e prova que ainda é possível experimentar sem abrir mão de uma narrativa acessível e emotiva.
E, para completar, a dublagem brasileira é excelente. Ri muito durante o filme e fiquei genuinamente impressionada com o trabalho do elenco. É uma daquelas dublagens que não parecem apenas estar reproduzindo o texto original, mas realmente entendem a personalidade dos personagens e encontram uma maneira própria de fazer as cenas funcionarem em português. Facilmente uma das melhores dublagens que já presenciei em uma animação. Com certeza foi feita com muito carinho!
Por fim, A Ilha Esquecida consegue ser acolhedor e divertido, mas também sabe ser assustador quando quer. Manang (criatura vampiresca da mitologia filipina que divide seu corpo em dois) é uma vilã que me surpreendeu. Há tempos que uma animação não conseguia realmente me deixar incomodada e tensa, mas ela tem uma presença perturbadora que funciona porque o filme não a trata como piada. Sua aparência, seus movimentos e a maneira como é apresentada criam uma atmosfera que chega a ser aterrorizante de verdade. Me lembrou muito Devilman Crybaby (2018)!
A Ilha Esquecida é um dos melhores filmes da DreamWorks que já assisti. É uma animação linda de se ver, impressionante, engraçada, culturalmente rica e, acima de tudo, extremamente emocionante. Mas talvez o maior elogio que eu possa fazer seja dizer que o filme me fez sentir. Saí da sessão com o coração apertado, pensando nas minhas amigas e sentindo uma saudade enorme delas. Poucas animações conseguem despertar sentimentos tão pessoais enquanto, ao mesmo tempo, entregam um trabalho artístico tão extraordinário.
Eu amei A Ilha Esquecida, e acho que todo mundo deveria assistir a esse filme.
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