O Gatola da Cartola tem uma estética fofa e uma mensagem final muito importante, mas acaba sendo uma das animações mais fracas do ano. Apesar de começar com uma introdução empolgante ao mundo do Gatola, o longa se perde completamente no meio, quando a história vira uma série de confusões que pouco acrescentam à narrativa principal. O filme até consegue recuperar parte do fôlego no final, mas isso não é o suficiente para salvar a experiência.
No filme, o Gatola enfrenta seu maior desafio no I.I.I.I., uma instituição dedicada à imaginação e inspiração. Para cumprir sua missão, o gatinho precisa animar Gabby e Sebastian, dois irmãos que estão com dificuldades para se adaptar à vida em uma nova cidade. Atrapalhado e caótico, Gatola promete transformar o dia das crianças em uma aventura repleta de diversão, mas, dessa vez, ele terá muito mais a perder, pois terá que abrir mão de sua cartola mágica se falhar.
Assista ao trailer:
Visualmente, O Gatola da Cartola é muito charmoso. A animação é fofa, colorida e cheia de personalidade, além de ter um cuidado evidente com o visual dos personagens e com a construção desse mundo. O problema é que, para além disso, falta algo que realmente faça a experiência valer a pena.
Um dos erros da produção, porém, é não aproveitar melhor a estranheza característica das histórias do Dr. Seuss. Os personagens de seus livros costumam ser absurdos, excêntricos e imprevisíveis, com uma criatividade que transforma situações simples em malucas. Aqui, essa identidade parece ter sido substituída por um humor mais convencional, com piadas fáceis e cenas exageradas que dificilmente arrancam uma risada se quer.
Existe uma diferença entre uma animação ser dedicada à crianças e simplesmente tratar seu público como se qualquer coisa fosse suficiente para entretê-lo. O Gatola da Cartola frequentemente cai nessa segunda categoria, com piadas tão bobas que acabam tornando o filme cansativo em vez de divertido.
O longa aposta constantemente na ideia de que exagerar uma situação ou colocar um personagem fazendo alguma coisa absurda automaticamente fará a cena engraçada. Infelizmente, não é bem assim. O humor é tão sem graça que, em diversos momentos, fica difícil até entender por qual motivo você está assistindo ao filme. E considerando o material de origem, que oferece tantas possibilidades criativas, é agoniante pensar no quanto a produção parece limitada nesse aspecto.
Outro ponto que prejudica bastante a experiência é o roteiro. O começo nos desperta um interesse na vida profissional do Gatola, dando a impressão de que a aventura vai seguir por um caminho super divertido. Entretanto, conforme a história avança, o filme começa a se perder em meio a tantas confusões e acontecimentos que parecem existir apenas para prolongar a narrativa — é como se tivesse dificuldade para decidir o que realmente quer contar. É apenas quando chega no final que O Gatola da Cartola reencontra o caminho que deveria ter seguido desde o início.
No fim, O Gatola da Cartola não chega a ser um desastre completo. A animação é encantadora, a mensagem final funciona e existe uma tentativa genuína de construir uma aventura para toda a família. Entretanto, esses elementos acabam sendo insuficientes diante de um roteiro que se perde no próprio caos e de um humor que raramente encontra seu alvo. É frustrante pensar no quanto o universo de Dr. Seuss poderia render uma animação mais inventiva e engraçada (como O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida, de 2012). Em vez disso, temos um filme que parece querer fazer tudo de forma simples e rápida, apostando em situações bobas e uma narrativa excessivamente infantilizada.
O Gatola da Cartola até consegue recuperar parte de seu encanto no final, mas chega tarde demais para compensar uma aventura que, durante boa parte de sua duração, parece tão perdida quanto seus próprios personagens.
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