O Bosque Selvagem é uma obra de arte tão linda quanto devastadora | Crítica

Em uma época onde a “inteligência” artificial domina tudo ao nosso redor, assistir a um filme como O Bosque Selvagem nos cinemas chega a ser um privilégio. O estúdio LAIKA, responsável por outros grandes filmes como ‘Coraline e o Mundo Secreto‘ e ‘ParaNorman‘, dificilmente desaponta quando se trata de animações belíssimas recheadas de histórias emocionantes.

O Bosque Selvagem conta a história de Prue McKeel, uma menina em Oregon, que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu irmãozinho é sequestrado por corvos e carregado para dentro de uma floresta encantada na qual, supostamente, ninguém deveria entrar. Ela precisa encontrá-lo antes que seja tarde demais, mas não tem noção do que lhe aguarda dentro do bosque.

Assista ao trailer:

É difícil se despedir de O Bosque Selvagem sem sentir o coração pesado — é encantador quando se fala dos visuais, mas também é muito trágico. É daqueles filmes que emocionam não apenas pelo que contam, mas também pela maneira como escolhem contar. E, apesar de ter saído da sessão bastante triste, é impossível deixar de pensar no quão especial foi poder presenciar algo assim nas telonas. Existe algo reconfortante em poder ver uma obra que exige tanto trabalho humano, em que cada movimento e detalhe precisam ser construídos com carinho e dedicação, enquanto estamos em um período onde as pessoas preferem fazer tudo por meio de aplicativos de inteligência artificial.

Além disso, quando se fala em stop motion, as pessoas costumam imaginar aqueles personagens com movimentos um pouco mais travados. O Bosque Selvagem, porém, surpreende justamente por desafiar essa percepção: a animação é tão fluida e detalhada que, em diversos momentos, parece ter sido feita toda por computação gráfica, e não com bonecos reais tendo cada movimento fotografado individualmente, quadro por quadro, para formar um mero piscar de olhos ou uma sílaba sendo pronunciada. É absurdo pensar na quantidade de trabalho, paciência e precisão necessários para alcançar esse resultado, várias vezes me peguei esquecendo que estava assistindo um filme produzido em stop motion. Mais do que apenas uma demonstração técnica, o filme é um lembrete do que a arte feita verdadeiramente por pessoas é capaz de alcançar. Foi incrível!

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Embora seja uma animação, vale mencionar que O Bosque Selvagem está longe de ser um filme infantil. Com classificação indicativa de 14 anos, o longa apresenta várias cenas violentas e aborda temas pesados, como luto, guerra e as consequências devastadoras da crueldade humana. A história não tenta suavizar esses assuntos para tornar a experiência mais confortável para você, e é essa disposição para encarar a tragédia que faz o filme tão marcante.

Foram 16 anos de desenvolvimento para completar esse filme, e é compreensível por que um projeto como esse exigiu tanto tempo: o cuidado com a animação, a riqueza dos detalhes e a emoção da narrativa fazem de O Bosque Selvagem um dos melhores trabalhos do estúdio LAIKA até hoje. Também vale outra curiosidade: com 2 horas e 12 minutos de duração, o filme é apontado como o longa-metragem de stop motion mais longo já feito.

É importante dizer também que nem sempre precisamos sair de uma sessão pulando, sorrindo ou com aquela sensação de euforia para considerarmos um filme como bom. Às vezes, um filme precisa nos deixar tristes, inquietos e pensativos. Precisa permanecer conosco depois que os créditos acabam, mesmo que isso signifique carregar um pouco daquela dor para casa por dias ou, até mesmo, semanas.

Assistir O Bosque Selvagem foi exatamente essa experiência. É um filme lindo, trágico e angustiante do começo ao fim. Uma obra que te deixa com o coração dolorido, mas que vale a pena ser vivida, principalmente nos cinemas.

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